Vítimas Da Tragédia Com O Césio 137 Em Goiânia Reivindicam Memorial
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Sobreviventes do acidente com o césio 137 cobram a construção de um museu ou de um memorial em Goiânia. Eles querem manter viva a lembrança daqueles que não suportaram a radiação e dos que ainda sofrem com a contaminação. Acreditam ser necessário sempre falar sobre o trágico setembro de 1987, principalmente para evitar que ele se repita. Levantamentos de sindicatos, associações e do Ministério Público de Goiás indicam pelo menos 66 mortes e cerca de 1,4 mil vítimas atingidas pelo material radioativo.Há um mês, estudantes da Escola de Artes e Arquitetura da Universidade Católica de Goiás (UCG) apresentaram o projeto de um memorial, encomendado pela Associação de Moradores do Setor Aeroporto, com o intuito de erguer o prédio na área do Lote 30 da Rua 26-A, onde ficava o ferro-velho em que Wagner Pereira, então com 19 anos, e Roberto Alves, 22, abriram a cápsula com 19g de césio. No entanto, a ideia não tem prazo nem dinheiro para sair do papel e da maquete. Tampouco é a primeira vez que se fala em um prédio para contar a história do acidente (leia Memória).À frente da Associação dos Contaminados, Irradiados e Expostos ao Césio 137, Sueli Lina de Moraes Silva, 61, diz que a falta de conservação da memória do acidente contribui para o esquecimento das vítimas. ;Temos de lembrar dos que se foram e dos que ficaram. Por isso, a construção de um memorial é importante. Mas prometeram muito e nada fizeram;, queixa-se.Sueli lembra de cada momento que sucedeu à abertura da cápsula com o césio. Ela mora na mesma casa da época do acidente, na Rua-26, onde criou os três filhos, hoje com 37, 38 e 40 anos. Os fundos da residência dão para o terreno concretado onde ficava o ferro-velho. Sueli mantém um mapa, feito à mão, com os nomes de 23 vítimas de câncer residentes nos setores Aeroporto e Ferroviário, os mais atingidos pela radiação. Gente que não entrou para a lista oficial das vítimas do césio.Apesar de o município de Goiânia e o estado de Goiás terem criado uma rede para atender os atingidos pelo acidente, Sueli diz que as pessoas reconhecidas oficialmente vivem em dificuldade. ;A assistência sempre foi falha, principalmente na distribuição de remédios. Sempre falta algum. As pensões também atrasam, além de estarem defasadas. Hoje, cada vítima recebe R$ 960, mas deveria receber R$ 998, sendo reajustado em janeiro, com o salário mínimo;, ressalta.
Desde a tragédia com o césio 137 em Goiânia, em 1987, nenhuma tentativa de construir museus ou painéis sobre o episódio deu certo. A mais recente delas tem como protagonistas alunos da Universidade Católica de Goiás
GG Guilherme Goulart, Renato Alves postado em 08/07/2019 06:00
Sobreviventes do acidente com o césio 137 cobram a construção de um museu ou de um memorial em Goiânia. Eles querem manter viva a lembrança daqueles que não suportaram a radiação e dos que ainda sofrem com a contaminação. Acreditam ser necessário sempre falar sobre o trágico setembro de 1987, principalmente para evitar que ele se repita. Levantamentos de sindicatos, associações e do Ministério Público de Goiás indicam pelo menos 66 mortes e cerca de 1,4 mil vítimas atingidas pelo material radioativo.Há um mês, estudantes da Escola de Artes e Arquitetura da Universidade Católica de Goiás (UCG) apresentaram o projeto de um memorial, encomendado pela Associação de Moradores do Setor Aeroporto, com o intuito de erguer o prédio na área do Lote 30 da Rua 26-A, onde ficava o ferro-velho em que Wagner Pereira, então com 19 anos, e Roberto Alves, 22, abriram a cápsula com 19g de césio. No entanto, a ideia não tem prazo nem dinheiro para sair do papel e da maquete. Tampouco é a primeira vez que se fala em um prédio para contar a história do acidente (leia Memória).À frente da Associação dos Contaminados, Irradiados e Expostos ao Césio 137, Sueli Lina de Moraes Silva, 61, diz que a falta de conservação da memória do acidente contribui para o esquecimento das vítimas. ;Temos de lembrar dos que se foram e dos que ficaram. Por isso, a construção de um memorial é importante. Mas prometeram muito e nada fizeram;, queixa-se.Sueli lembra de cada momento que sucedeu à abertura da cápsula com o césio. Ela mora na mesma casa da época do acidente, na Rua-26, onde criou os três filhos, hoje com 37, 38 e 40 anos. Os fundos da residência dão para o terreno concretado onde ficava o ferro-velho. Sueli mantém um mapa, feito à mão, com os nomes de 23 vítimas de câncer residentes nos setores Aeroporto e Ferroviário, os mais atingidos pela radiação. Gente que não entrou para a lista oficial das vítimas do césio.Apesar de o município de Goiânia e o estado de Goiás terem criado uma rede para atender os atingidos pelo acidente, Sueli diz que as pessoas reconhecidas oficialmente vivem em dificuldade. ;A assistência sempre foi falha, principalmente na distribuição de remédios. Sempre falta algum. As pensões também atrasam, além de estarem defasadas. Hoje, cada vítima recebe R$ 960, mas deveria receber R$ 998, sendo reajustado em janeiro, com o salário mínimo;, ressalta.A luta de Siron Franco
O processo de silenciamento desestimula até quem batalha há décadas pela memória da tragédia do césio 137. O artista plástico goiano Siron Franco desenvolveu dois projetos para dar de presente à cidade, mas nada sai do papel. ;Não entendo um negócio desses. Goiânia tem se mostrado uma cidade complicada. Por que não posso criar coisas para Goiânia? No mundo inteiro, há memoriais que perpetuam a história dos episódios, até mesmo geram renda, mas aqui, não;, lamenta.Siron cresceu na Rua 74, diante da Rua 57 do Setor Central, onde foi rompido o lacre da cápsula com o material radioativo. Em 1987, ele morava em São Paulo quando soube da contaminação. À época, reuniu um grupo de artistas e jornalistas e seguiu para Goiânia para tentar mostrar ao país a dimensão do problema. Cinco anos depois, o governo de Goiás prometeu erguer um memorial na Rua 57 para homenagear as vítimas e valorizar a região. O projeto do artista plástico pretendia fazer o visitante entrar em uma cápsula gigante. Ali, um contador de radiação mostraria que não havia perigo no local.Na prática, conseguiu-se que uma placa fosse colocada na Rua 57. E isso apenas em 2009. A tentativa de construção do Memorial das Vítimas do Césio 137 estava na pauta das ações da gestão de Marconi Perillo (2011-2018), mas nada saiu do papel em oito anos.Outro projeto de Siron Franco é um painel sobre a tragédia. O trabalho conta com uma maquete construída e deveria ser erguida no Instituto de Assistência dos Servidores Públicos do Estado de Goiás (Ipasgo). É lá onde as vítimas da tragédia recebem atendimento médico e fazem consultas e exames, como garantido em lei. O trabalho prevê uma montagem com fotos da época, como se fosse uma grande radiografia. Será pintado, terá 11,80m por 15m, e ficará na sala principal. ;Por enquanto, infelizmente, não passamos da maquete;, afirma Siron.Até o momento, nenhuma das duas iniciativas de Siron Franco aparecem na agenda do governo de Goiás.19Quantidade de gramas de césio 137 retirado de cápsula que estava dentro de um aparelho de raio-x abandonado960Valor em reais da pensão que cada vítima do césio recebe do governo ; o benefício deveria ter sido atualizado para R$ 998Monitoramento
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), responsável pela descontaminação do césio em Goiânia, monitora sete pontos na cidade, com medições regulares da radiação no solo e a na vegetação. A coleta de dados trimestrais resulta em relatórios anuais. O órgão garante que todos os pontos não oferecem nenhum risco, pois tem ;níveis seguros de radiação;. À época do acidente, a Cnen examinou 112,8 mil pessoas, mais de 10% da população de Goiânia. Eles identificaram 120 pessoas com contaminação no corpo por causa do contato com a fonte de césio.MemóriaPromessas e desrespeito
2008A Secretaria da Saúde de Goiás anuncia a construção do Memorial do Césio e do Centro de Referência, em Goiânia, e pede ao Ministério da Saúde R$ 150 mil para fazer o resgate do acervo histórico. Já o Memorial do Césio deveria ser construído na Rua 57, com projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. Porém, não há verba garantida. A construção de um moderno centro internacional de pesquisa e documentação em Goiás é mais ousada. Ele deveria seguir os moldes dos que existem em Hiroshima (Japão) e Chernobil (Ucrânia) e servir para pesquisas e prestar atendimento, com alto grau tecnológico.2011Criada em 1987, a Superintendência Leide das Neves Ferreira (Suleide) é renomeada para Fundação Leide das Neves (Funleide), em 1999. Em 2011, é desmembrada em duas unidades: Centro de Assistência aos Radioacidentados (Cara) e Centro de Excelência em Ensino, Pesquisa e Projetos Leide das Neves Ferreira (CEEPP-LNF).2012A Assembleia Legislativa de Goiás aprova proposta de construção de um memorial em Goiânia. Pelo projeto, será erguido ;um obelisco em forma quadrangular alongada e sutil, que se afunila ligeiramente em direção à sua parte mais alta, com altura não inferior a 50m, construído preferencialmente em pedra;. Pelo texto, o memorial tem o objetivo de ;lembrar o maior acidente radiológico em área urbana no mundo, informar a população sobre os efeitos da radiação no ser humano, refletir sobre as consequências decorrentes do uso indevido de substâncias radiológicas e radioativas e incentivar a pesquisa sobre os efeitos da radiação no corpo humano e as formas de tratamento;.2016Após receber uma visita do governador Marconi Perillo (PSDB) em seu ateliê, o artista plástico Siron Franco, expoente das artes goianas, anuncia que vai desenhar e confeccionar, com dinheiro do estado, o memorial das vítimas do césio, a ser inaugurado em 2017, quando o acidente completaria 30 anos.Em dezembro do mesmo ano, é aprovada a Lei n; 9.962, que altera o nome da Rua 57 para Paulo Henrique de Andrade. Ele é fundador da ONG Círculo de Apoio à Aprendizagem Profissional de Goiânia, cuja sede fica na Rua 57 e não tem relação com o césio. A Rua 26-A, no Setor Aeroporto, passa a se chamar Rua Francisca da Costa Cunha D. Tita, também sem vínculo com a tragédia goiana.2017O artista plástico Siron Franco é escalado para montar um painel sobre a tragédia do césio no Ipasgo. O trabalho terá uma montagem com fotos da época, como se fosse uma grande radiografia. A maquete fica pronta para marcar os 30 anos do acidente radioativo.2018A Associação dos Moradores do Setor Aeroporto (Amsa) cobra a construção de um memorial. A entidade sugere a Rua 26-A para erguê-lo.2019Alunos da Universidade Católica de Goiás apresentam o projeto de um memorial, encomendado pela Amsa, sem verba ou prazo para construção.Tags
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