BMW M3 Tem O Que Há De Melhor Em Tecnologia Para Ser (muito ...

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BMW M3 1
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

A indústria usou muito a expressão “estado da arte” para falar de suas criações. Usou tanto que, com o tempo, virou lugar-comum e perdeu parte do significado. Ao conhecer o novo BMW M3 Competition Track, no entanto, achei que falar em estado da arte, neste caso, fazia todo o sentido porque esse carro traz uma série de características que o tornam uma criação realmente especial.

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É certo que o M3 é assim porque é feito para motoristas com dotes de piloto, que efetivamente exploram seus limites (os do carro e os próprios) em pistas de corridas, o que justifica certos aprimoramentos.

Visão traseira do BMW M3
Apêndices de fibra de carbono têm funções aerodinâmicas (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Começando pela dianteira e deixando o visual de lado, embora o estilo seja o que mais chame a atenção por conta do tamanho do duplo rim, as aberturas na grade e no para-choque são grandes por terem a função de conduzir o ar para os sistemas de resfriamento do carro: motor, turbocompressores (são dois), óleo do motor e óleo da transmissão (sempre com suporte de ventiladores elétricos que podem ser acionados automaticamente se preciso). Tudo isso porque no uso esportivo, as temperaturas tendem a subir mais que no uso normal.

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BMW M3 Visão superior
Teto de fibra de carbono aumenta a rigidez torcional da carroceria (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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O motor S58 é a versão esportiva do B58, 3.0 de seis cilindros em linha, que equipa outros BMW normais, como o próprio Série 3. O S58 traz vários componentes específicos da divisão esportiva Motorsport, como o virabrequim, dimensionado para suportar maiores cargas, e o cabeçote, feito por impressora 3D, que permite reduzir peso e obter um desenho de câmara que por meio de fundição não se consegue.

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A injeção de combustível é direta nas câmaras sob alta pressão (350 bar), o que permite dosagens mais rápidas e com melhor atomização do combustível (benefício: desempenho e consumo). Na pista de testes, o M3 Competition Track acelerou de 0 a 100 km/h em 3,9 segundos, o mesmo tempo divulgado pela fábrica. E quase chegamos à velocidade máxima oficial, que é de 290 km/h. No final da reta de 1.800 metros (com espaço suficiente para frear) atingimos 285 km/h.

BMW M3 visão Lateral
Para o uso diário, o sedã traz recursos de condução autônoma nível 3 (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Nas provas de consumo, o M3 conseguiu as médias de 8,2 km/l, na cidade, e 10,6 km/l, na estrada. Nada mal para um motor que gera 510 cv de potência e 66,3 kgfm de torque, comandado por um câmbio automático de oito marchas (a tração é traseira).

Assim como os sistemas de resfriamento, o de lubrificação do motor também foi desenvolvido de forma a garantir o fornecimento de óleo independentemente das forças laterais e longitudinais envolvidas. Assim o cárter ganhou duas câmaras, cada qual com seu pescador independente. E até a ancoragem do motor foi reforçada para garantir que o funcionamento do S58 não interfira na dirigibilidade.

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BMW M3 frontal 2
As luzes se destacam no fundo escuro dos faróis M Shadow Line (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Falando em reforços, assim que se abre o capô, se vê um triângulo de barras de alumínio que serve para dar estabilidade à suspensão dianteira (duplo A), a qual é montada em um subchassi cuja estrutura ocupa cerca de um terço do comprimento total do carro (ou seja, se estende até as colunas dianteiras). Na traseira, a suspensão tem estrutura de cinco braços.

A plataforma do M3 é uma variação da que serve de base para o Série 3 normal. Enquanto a do Série 3 é chamada internamente de G20, a do M3 é a G80. A distância entre-eixos (285,1 cm) é a mesma. Mas o M3 tem a base reforçada e o teto de fibra de carbono, para aumentar sua rigidez, é maior em comprimento e na largura, com as bitolas (distância entre as rodas do mesmo eixo) ampliadas.

Motor do BMW M3
Barras dão firmeza para suspensão e dianteira. (Fernando Pires/Quatro Rodas)

O Série 3 mede 470,9 cm, de comprimento; 182,7 cm, de largura; e 143,5 cm, de altura, enquanto o M3 tem respectivamente: 479,4 cm, 190,3 cm e 143,3 cm. Os pneus do M3 Competition Track são do tipo semi-slick (parte da banda é lisa para oferecer mais aderência no piso seco).

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As medidas são 275/40 R18, na frente, e 285/35 R19, atrás. E os freios são a disco nas quatro rodas, com discos ventilados cerâmicos, tendo seis pistões na dianteira e um na traseira. As rodas de liga leve merecem destaque. Não só pelo visual, mas por permitirem a redução de peso.

Painel e volante do BMW M3
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

A arquitetura mais o motor seriam suficientes para divertir um piloto habilidoso. Mas o projeto não para por aí. Tem também a eletrônica, que deixa o M3 ainda melhor para quem entende do assunto e para quem não entende tanto assim.

Tudo personalizável

A direção elétrica pode ser ajustada em dois modos, Comfort e Sport, variando não só a assistência como também a relação, o que garante estabilidade nas retas e respostas rápidas nas curvas. A suspensão ativa se ajusta a variáveis como velocidade do carro, condições do piso e posição do volante, em milésimos de segundo, variando seu comportamento em três modos: Comfort, Sport e Sport +. E até os freios permitem ajuste de curso de pedal, Comfort e Sport. O novo M3 tem freios do tipo by-wire (sem link físico entre o pedal e as pinças), com atuadores hidráulicos nas rodas.

Parte de tras bancos dianteiros bmw m3
(Fernando Pires/Quatro Rodas)
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Motor e câmbio também têm ajustes e a transmissão conta com diferencial eletrônico de deslizamento limitado e efeito autoblocante, que em conjunto com o sistema de vetorização de torque poderia tranquilamente controlar a tração e a estabilidade do carro, sem a necessidade do ESP. Mas o ESP, que a BMW chama de DSC, nesse caso, não só existe como pode ser ajustado em até dez diferentes níveis de assistência, do mais prudente ao mais permissivo, autorizando derrapagens controladas.

O motorista pode selecionar os modos de condução de forma independente para os diversos sistemas por meio da central multimídia, ou teclas de atalho localizadas no console, e deixar gravado duas combinações diferentes que podem ser habilitadas por duas teclas vermelhas no volante, M1 e M2. Há ainda, no console, o botão M Mode, que permite ao motorista regular o quanto a eletrônica deve interferir na condução. São três opções: Road (que privilegia a segurança), Sport (permissivo, mas ainda presente) e Track (sem assistência).

Painel com opções de modos do BMW M3
Regulagens aparecem no painel (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Juntando tudo, motor, chassi e eletrônica, o M3 Competition Track é um esportivo que pode atender as expectativas de motoristas com diferentes preferências e níveis de habilidade. Com todos os ajustes no modo mais esportivo e o M Mode no modo Track, o M3 é um turismo puro. A suspensão fica fechada, a direção exige esforço e se o motorista esquecer de trocar uma marcha, o sistema vai cortar o giro do motor, mas não vai fazer a mudança.

Quem comprar o carro pelo estilo deve saber, porém, que no dia a dia ele é um sedã cansativo porque, por maior conforto que se busque no ajuste eletrônico dos sistemas, o M3 é um esportivo. A direção continua rápida para os padrões de um sedã de luxo. A suspensão permanece segurando os movimentos laterais, embora apresente um amortecimento vertical mais eficiente. E os pneus copiam cada centímetro do asfalto.

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Tela multimídia BMW s3
Ajustes são feitos na central multimídia (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Custando R$ 849.950, o M3 não economiza recursos como central multimídia com serviços de concierge e dispositivos de direção autônoma (nível 3). Mas até os bancos concha com estrutura de fibra de carbono encaixam o corpo do motorista, como se fosse uma peça do vestuário.

Falando do estilo, o M3 é bonito. Por onde passamos, ele chamou atenção em todos os lugares e até à noite, na volta para casa (ninguém reclamou ou fez cara de desgosto ao ver o duplo rim). E a versão mais completa Track traz elementos que o fazem ainda mais interessante como apliques nos para-choques, aerofólio e capas de retrovisores de fibra de carbono e os faróis M Shadow Line, que têm o fundo escuro.

central multimidia do BMW M3
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

O estilo é apenas um detalhe, porém, porque obras de arte foram feitas para ser admiradas, sem se tocar, na maioria das vezes. Mas o novo M3 é uma obra da engenharia e admirá-lo passa pela experimentação.

Outro recurso exclusivo do pacote Track é o sistema M Drive Pro-fessional, que traz a telemetria das pistas para o painel do carro. Ele monitora tempos de voltas, desempenho em curvas e até ângulo de derrapagem, distância e duração em manobras de drift. Os resultados podem ser comparados e compartilhados com o público nas redes sociais.

Galeria de Fotos – BMW M3

Bancos com estrutura de fibra de carbono acomodam as pessoas como se fossem peças de vestuário e podem receber cintos de cinco pontos. Central tem todas as facilidades de um carro da marca, incluindo serviços conectados. No console há botões que servem de atalho para os ajustes do carro. Preferências podem ser memorizadas e acessadas por comandos no volante
1/14 Bancos com estrutura de fibra de carbono acomodam as pessoas como se fossem peças de vestuário e podem receber cintos de cinco pontos. Central tem todas as facilidades de um carro da marca, incluindo serviços conectados. No console há botões que servem de atalho para os ajustes do carro. Preferências podem ser memorizadas e acessadas por comandos no volante (Fernando Pires/Quatro Rodas)
2/14 (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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Bancos dianteiros compactos liberam mais espaço atrás.
4/14 Bancos dianteiros compactos liberam mais espaço atrás. (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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Painel digital tem tela de 10,25”
7/14 Painel digital tem tela de 10,25” (Fernando pires/Quatro Rodas)
Tela da central tem 12,2”
8/14 Tela da central tem 12,2” (Fernando Pires/Quatro Rodas)
Com esses pneus, rodas e freios, nem precisava ostentar o emblema na traseira
9/14 Com esses pneus, rodas e freios, nem precisava ostentar o emblema na traseira (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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Há quatro saídas de escapamento.
11/14 Há quatro saídas de escapamento. (Fernando Pires/Quatro Rodas)
As bitolas ficaram mais largas
12/14 As bitolas ficaram mais largas (Fernando Pires/Quatro Rodas)
Porta-malas leva 480 l
13/14 Porta-malas leva 480 l (Fernando Pires/Quatro Rodas)
As luzes se destacam no fundo escuro dos faróis  M Shadow Line
14/14 As luzes se destacam no fundo escuro dos faróis M Shadow Line (Fernando Pires/Quatro Rodas)
Perde meia estrela só porque é um sedã cansativo no uso diário. Para rodar em pista, merece cinco estrelas.

Veredicto

Teste de desempenho – BMW M3

  • Aceleração: 0 a 100 km/h: 3,9 s 0 a 1.000 m: 21,3 s – 252,1 km/h
  • Velocidade Máxima: 290 km/h*
  • Retomada: D 40 a 80 km/h: 2,3 s D 60 a 100 km/h: 2,5 s D 80 a 120 km/h: 2,4 s
  • Frenagens: 60/80/120 km/h – 0 m: 7,3/21,7/45,4 m
  • Ruído Interno Neutro/rpm máx.: 45,5/67,1 dBA 80/120 km/h: 65,6/69,4 dBA
  • Consumo: Urbano: 8,2 km/l Rodoviário: 10,6 km/l
  • Ruído Interno Neutro/RPM máx.: 45,5/67,1 dBA 80/120 km/h: 65,6/69,4 dBA
  • Aferição Velocidade real a 100 km/h: 98 km/h Rotação do motor a 100 km/h em 7ª marcha: 1.600 rpm Volante: 2 voltas
  • Seu bolso Preço básico: R$ 849.950 Garantia: 2 anos
  • Condições de teste: alt. 660 m; temp., 27,5 °C; umid. relat.,70%; press., 1.015 kPa

Ficha Técnica – BMW M3

  • Motor: gas., diant., long., 6 cil. em linha, 24, biturbo, intercooler, injeção direta, 2.993 cm³, 510 cv a 6.200 rpm, 66,3 kgfm a 2.750 rpm
  • Câmbio: automático, 8 marchas, tração traseira
  • Suspensão: McPherson (diant.), multibraços (tras.)
  • Freios: disco cerâmico ventilado (diant. e tras.)
  • Direção: elétrica, 12,2 (diâmetro de giro)
  • Pneus: 275/40 R18 (diant.), 285/35 R19 (tras.)
  • Dimensões: comprimento, 479,4 cm; largura, 190,3 cm; altura, 143,3 cm; entre-eixos, 285,1 cm; porta-malas, 480 l; tanque de combustível, 59 l

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